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NOSOTROS (USA Records / 2008)
O álbum mais recente da DOIDIVANAS, gravado e mixado entre abril
e julho de 2003 e masterizado em 2007, reúne 13
releituras
de artistas gaúchos e latino-americanos. A sonoridade de NOSOTROS
resulta numa pegada mais crua e coesa,
transposta nas
gravações por sua formação básica
- bateria (dMart), baixo (Osório), guitarras (Con6) e vocal (Felipe)
-
pontuada por outros
instrumentos como gaita-ponto, acordeom, teclados, cordas e samplers.
Figuram no álbum influências e
referências da banda,
tais como Almôndegas, Mano Lima, Sui Generis (banda seminal do
argentino Charly Garcia), Cenair
Maicá, Bebeto Alves e
outros artistas.
O repertório deste disco surgiu nos shows da banda e na pesquisa
realizada em conjunto com o compositor Edu daMatta.
Participam das gravações o DJ Anderson (banda Ultramen),
Leonardo Oxley Rodrigues (arranjo de cordas), o gaiteiro-mirim,
Mano Jr, Bira do Cavaco (grupo Pra Todas As Raças), além
dos colaboradores costumeiros: Negrinho Martins, Éber Barbosa,
Jucá de Leon e o próprio daMatta.
Todos as canções são revisitadas por uma pegada
rock’n roll e uma linguagem que flerta com a música do
mundo e valoriza
as
culturas regionais. Marca registrada da DOIDIVANAS.


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recuerdos da 28
Knelmo Alves - Francisco Alves
livre adaptação da banda
de vez em quando, quando eu boto a mão nos cobres
não existe china pobre, nem garçom de cara feia
eu sou de longe, d’onde chove e não goteia
não tenho medo de potro, nem macho que compadreia
boleio a perna e vou direto pro retoço
quanto mais quente o alvoroço, muito mais me sinto afoito
e o chinaredo, que de muito me conhece
sabe que pedindo desce meu facão na "28"
e num relance se eu não vejo alguém de farda, eu grito:
“me serve um liso daquela que matou o guarda”
entro na sala no meio da confusão
fico meio atarantado que nem cusco em procissão
quase sempre chego assim meio com sede
quebro o meu chapéu na testa de beijar santo em parede
boleio a perna e vou direto pro retoço
quanto mais quente o alvoroço, muito mais me sinto afoito
e o chinaredo, que de muito me conhece
sabe que pedindo desce meu facão na "28"
e num relance se eu não vejo alguém de farda, eu grito:
“me serve um liso daquela que matou o guarda”
como é que eu tô nesse corpo
Mano Lima
“cosinha” que atenta os “home”
eu te escrevo, meu amor
não quero que tu repare
na letra de um domador
aqui vou levando a vida
quebrando queixo de potro
manda me dizer querida
como é que eu tô nesse corpo (2x)
já falei com meu patrão
pra morar lá na fiuta
tu vai gostar do lugar
tem “alve” e bastante “fruita”
ali eu levanto um rancho
de pau-à-pique cravado
enquanto a dalva te embala
eu tiro as “cosca” de um aporreado (2x)
aqui espero a resposta
“cosinha” que atenta os “home”
por causa da tua ausência
eu não vou morrer de fome
no bilhete tu me diz
se não tá amando outro
que aí no mais eu já vejo
como é que eu tô nesse corpo (2x)
a desalambrar
Daniel Viglietti
yo pregunto a los presentes
si no se han puesto a pensar
que esta tierra es de nosotros
y no del que tenga más.
yo pregunto si en la tierra
nunca habrá pensado usted
que si las manos son nuestras
es nuestro lo que nos den.
a desalambrar, a desalambrar,
que la tierra es nuestra,
es tuya y de aquél,
de Pedro y María,
de Juan y José.
si molesto con mi canto
a alguien que no quiera oír,
le aseguro que es un gringo
o un dueño de este país.
vim vadiá
Nelson Coelho de Castro
bonito é ter um caminho
bonito é ter um amor
bonito é ter um amigo
ter muito amigo para o bolor
esquina, valia bonita
vadiava o meu coração
a gente ficava na esquina
a vida infinita, cuia no chão
depois, aquela coisinha
do samba, batida do som
malandro, tinha cada neguinho
tinha cada neguinho tri bom
tri bom...
vim vadiá, vim vadiá, vadiá meu Deus (3x)
também pra vadiar é preciso estar junto dos meus
(também pra vadiar preciso estar muito com Deus)
me empresta tua bicicleta
vou dar uma banda dali
e a gente nunca mais voltava
nunca mais voltava dali
esquina, valia bonita
vadiava o meu coração
a gente ficava na esquina
a vida infinita, cuia no chão
depois, aquela coisinha
do samba, batida do som
malandro, tinha cada neguinho
tinha cada neguinho tri bom
sombra fresca e rock no quintal
Zé Flávio
quero sentir o sol batendo nas minhas pernas
minha boca
eu quero ver a cor do céu ao natural
eu quero um beijo que não seja de alumínio
e os edifícios longe das bananas do quintal
e continua dando fruta e sombra fresca
no meio do banheiro universal
no fim do mundo na beira da roça eu tinha
o tempo todo, todo o espaço pra viver
ao natural...
bem no centro da mesa de refeições
a sinaleira diz que pode o caminhão atravessar
dentro de casa, não é casa é qualquer coisa dissonante
acompanhada de cimento e um quintal
e continua dando fruta e sombra fresca
no meio do banheiro universal
no fim do mundo na beira da roça eu tinha
o tempo todo, todo o espaço pra viver
ao natural...
rock tchu tchuba... rock tchu tchuba ... eeehhh!!!
depois da chuva
Bebeto Alves
não vou morrer
depois da chuva
como um domingo
não vou morrer
não vou morrer
isso é um insulto
sob esse viaduto
não vou morrer
a cidade escura
e imunda é que está
a apodrecer
mas vem a chuva, vem
as pedras rolar
rolam pedras, sim...
rolam em mim
eu não vou morrer,
desaparecer...
na palavra “fim”, baby
escrita em algum lugar
ana banana
Charles Master – Flávio Basso
eu perdi o meu relógio
eu não sei que horas são
perguntei se alguém achou
todo mundo disse não...
oh! não...
pega o fone diz o nome
mas ao menos vê se come
eu perguntei se alguém comeu
todo mundo respondeu não...
oh! não...
ana banana
por tua causa tô em cana, baby!
ana banana
me leva agora pra tua cama
oh! ana banana
oh! ana...
canción para mi muerte
Charly García
hubo un tiempo que fue hermoso
y fui libre de verdad,
guardaba todos mis sueños
en castillos de cristal.
poco a poco fui creciendo,
y mis fábulas de amor
se fueron desvaneciendo
como pompas de jabón.
te encontraré una mañana
dentro de mi habitación
y prepararás la cama
para dos.
es larga la carretera
cuando uno mira atrás
vas cruzando las fronteras
sin darte cuenta quizás.
tomate del pasamanos
porque antes de llegar
se aferraron mil ancianos
pero se fueron igual.
quisiera saber tu nombre
tu lugar, tu dirección
si te han puesto teléfono,
también tu numeración.
te suplico que me avises
si me vienes a buscar,
no es porque te tenga miedo,
sólo me quiero arreglar.
gana missioneira
Nilo Bairros de Brum / Valdomiro Maicá - Cenair Maicá
esta gana missioneira que carrego inteira dentro do meu peito
me faz caudatário de um rio que volta para o velho leito
e o mate que cevo pra sorver solito quando o sol se vai
é a seiva bugra da terra vermelha do alto uruguai
eu sou missioneiro nasci para a liberdade
mas aqui finquei meu rancho pra não sentir mais saudade
sou herdeiro de sepé retemperado na guerra
e se precisa eu tranco o pé pra defender minha terra
hay os que se perdem por perder raízes que não acham mais
hay os que se encontram por voltar às fontes dos seus ancestrais
e as encruzilhadas parecem caminhos a se afastar
quando na verdade são pontos de encontro pra quem quer voltar
eu sou missioneiro sei de bailes e potreadas
também sei de mutirões no cabo liso da enxada
por saber tudo o que sei me sinto bem à vontade
sempre pronto a defender terra, honra e liberdade
velhas brancas
Mário Barbará
na tarde quente onde as velhas brancas cheiram a talco
sonham meninas com falsos reis e quebram os saltos
pula a sarjeta, pede gorjeta um magro menino
toma uma coca e o padre toca outra vez o sino
a tarde segue, seguem turistas no mesmo passo
a rua corre, corre a cidade num só compasso
verte cerveja de alguma mesa, abre a sinaleira
e dorme um homem de sono ou fome numa cadeira
um gordo sacode a pança
carregando uma criança
homens trabalham suados
rindo com olhos esbugalhados
entre o suplício, alguém faz comício e promete tudo
crê nas promessas um velho bobo e come um cascudo
sonham com fama, mijam na grama, fazem sucesso
roubam chicletes, novos pivetes em seu progresso
uma canção pra minha prenda
Basílio Conceição
tentei fazer uma canção bonita
dessas que se vão
de pago em pago
saudade que eu trago
no meu coração
ah! quando eu me lembro
prenda tão vistosa assim nunca se viu
como um relâmpago veio e sumiu
sangrou meu peito
e encharcou o meu olhar
de tristeza e dor
e dor é a estrada velha que eu conheço
como a própria mão
que leva a gente queira ou não queira
rumo à solidão
ah! prenda bonita
nunca fui poeta e pouco sei cantar
fiz estes versos tortos pra lembrar
pintei o rancho e lavei os lençóis
pra te esperar
los hermanos (yo tengo tantos hermanos)
Atahualpa Yupanqui
yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
en el valle, en la montaña,
en la pampa y en el mar.
cada cual con sus trabajos,
con sus sueños cada cual.
con la esperanza delante,
con los recuerdos detrás.
yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
gente de mano caliente
por eso de la amistad,
con un rezo pa' rezar,
con un lloro pa' llorarlo.
con un horizonte abierto
que siempre está más allá,
y esa fuerza pa' buscarlo
con tesón y voluntad.
cuando parece más cerca
es cuando se aleja más.
yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
y así seguimos andando
curtidos de soledad.
nos perdemos por el mundo,
nos volvemos a encontrar.
y así nos reconocemos
por el lejano mirar,
por las coplas que mordemos,
semillas de inmensidad.
y así seguimos andando
curtidos de soledad.
y en nosotros nuestros muertos
pa' que nadie quede atrás.
yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar,
y una hermana muy hermosa
que se llama libertad.
nosso lado animal
Fuguetti Luz
eu não posso esperar e ver tudo explodir
quero mais é lutar, tenho que prosseguir
a caminho da paz, solto dentro da imaginação
eu não posso calar, tenho muito a dizer
tenho que escancarar, que que eu posso fazer
além de preparar o terreno pra nova geração
posso cantar,
posso espalhar,
as sementes que amanhã brotarão
detonando o rock’n’roll
eu não quero saber, quero é participar
não podemos deixar a peteca cair
nós não vamos ficar de bobeira
esperando a solução, não...
não adianta ensinar, temos que aprender
a ser mais natural na maneira de ser
nosso lado animal, vez em quando precisa tomar sol
posso cantar,
posso espalhar,
as sementes que amanhã brotarão
detonando o rock’n’roll